Difícil mesmo definir o som da banda mineira ‘Graveola e o Lixo Polifônico’. Eles fazem um som que tem no DNA coisas do ‘Clube da Esquina’ (pela proximidade geográfica), mas também têm a psicodelia, que era o forte dos ‘Mutantes’, além do hermetismo folclórico dos ‘Novos Baianos’. Mas é claro que também existem ecos de modernidade no som da banda, no melhor estilo rock de arena, como ‘Los Hermanos’ etc.
A banda continua seguindo a mesma linha do primeiro álbum, com letras espertas e melodias altamente assobiáveis, que variam entre samba, rock indie, mambo e funk entre uma balada e outra. Entretanto a produção foi claramente mais bem cuidada, no sentido de ter mais peso, mais grave, mais agudo, mais tudo...
E as referências continuam brotando entre uma faixa e outra, desde lembranças das descontroladas do ‘Bonde do Tigrão’ ao sonho finito de Gilberto Gil de “quem não dormiu no sleeping-bag e nunca mais sonhou”.
Em ‘Eu Preciso de um Liquidificador’, a banda mistura influências e referências para criar um som autoral e atual e entrega uma obra enxuta e coerente com o ambiente que os cerca. Destaque para ‘Pra parar de vez’, ‘Farewell Love song’, ‘Desdenha’, ‘Nesse instante só’ e ‘Rua A’.