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Manacá: ritmos viajantes por todas as partes do mundo

 


Inspirado no Romance da Pedra do Reino, escrito por Ariano Suassuna, o grupo Manacá faz brotar o fruto arroxeado que lhe dá nome, espalhando seu doce por todas as partes. Quem teve a oportunidade de assistir a minissérie “Capitu”, ouviu as canções raras que misturam diferentes sonoridades com o auxílio de um afinado pandeiro. E além disso, a participação da vocalista do grupo Letícia Persiles que com seus “olhos de ressaca”, interpretando a personagem principal, Capitu.

Boas letras e doses fortes de percussão caminham pela ponte de partida do primeiro disco, homônimo do grupo. São arranjos precisos acompanhados de alta dosagem de poesia a essência do trabalho do Manacá. Bucólico e sempre com tons de areia na escuta fina da obra, o Manacá segue uma linha que não tem novelo. Ele fala a linguagem humana e dos deuses quando aporta sem âncoras por lugares desconhecidos.

Logo de cara a melodia doce de “Prelúdio”, invade a obra. É a primeira e uma maneira de fortalecer os passos para as doze canções que virão pela frente. Com um trabalho gráfico bonito, contendo imagens de santos e dos próprios integrantes do grupo, o disco lembra um livro, daqueles antigos, quase como um de poesia. A segunda canção é leve, traz a proposta do nome do grupo para girar na incandescente construção melódica... “Da Flor desse manacá, ia/morrida branca de tão casta/vem, doce perfume das estrelas a chegar/ se mata a sede de voar com os pés no chão...” É a fogueira que faz iluminar os caminhos de um grupo que já nasceu para ser grande, assim como a lua.

O som, sem comparações (que fique claro), envolve referências fortes do movimento Armorial com suas nuances de rabecas e tons agudos nos instrumentos de corda, junto às guitarras cortantes do Led Zeppelin. Além das músicas como Rosa Branca e Romã quando a letra diz “hoje acordei com um imenso vazio que achei que não ia passar/um estranho silêncio calava minha alma”, o disco ainda reserva surpresas como a ótima regravação de “Canto de Ossanha” de Vinícius de Morais, Baden Powell e Tonga.

No mais, é saborear cada letra e cada acorde embalados pela voz grave e bela de Letícia que também assina grande parte da autoria das músicas registradas na obra.

Bom som!

Confira o vídeo


http://www.youtube.com/watch?v=GdjNyx4bBe4 

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