Ele tem a cor azul. E não é só por observar a arte gráfica de sua capa, mas quando ouvimos o seu interior. É assim que o novo disco da cantora e compositora Valéria Oliveira entra nos ouvidos: azul, calmo e transparente. É nele que Valéria se mostra da maneira mais pura e forte, quando traz em todo o repertório canções autorais e com suas raras parcerias.
Logo na primeira canção, intitulada “Dança e Música” em parceria com Luiz Gadelha, ela “deixa as coisas caírem no chão e estaciona o carro na beira mar/voltando milhões de vezes ao mesmo lugar”. Letras preciosas e delicadas são bem vindas em todo o disco. Logo na sequencia, “Te Direi um dia” em parceria com Simona Talma é o trago forte de um cigarro e o gole de absinto com cheiro de perfume. São poemas, flores e muita chuva fina que recebemos ao ouvir o disco.
Além dos compositores já citados, Valéria traz duas parcerias com Krhystal em “Escuro” e “Razões”, com arranjos impressionantes, misturando dedilhados em guitarra a uma sonoridade de um poema quase concreto. Sueldo Suares e Romildo Soares, seus parceiros das antigas também estão presentes no disco e Romildo compôs uma das mais belas de toda a obra, “Sofrer faz parte do meu vocabulário”. Com uma letra curta e tocante, a música finaliza o disco com a sensação de que Valéria Oliveira precisa ser ouvida por todos os continentes.
Como escreveu o jornalista e escritor Sebastião Vicente, “Isso aqui é Valéria avançando mais dez passos no rumo da rarefação musicalização, da estilização que nos poupa de adereços e camadas desnecessárias e vai ainda mais direto ao ponto de um negócio chamado “música”, expondo a ossatura lírica das canções ao frio caloroso de sua voz”.
E vai além, nos leva a conhecer universos oníricos através das canções, das estruturas melódicas, quando acompanham na concepção dos arranjos Jubileu Filho, Gilberto Cabral, Rogério Pitomba, Eduardo Pinheiro e Paulo de Oliveira.
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Foto: Divulgação