Um ruído de vitrola, uma voz doce cortando tudo e algo devagar para um dia qualquer. Assim o disco “Vagarosa”, da cantora Céu, entra pela sala como quem anda devagarinho pela madrugada. Voz, cavaquinho e este ruído dão boas vindas para quem tanto desejou ouvir o disco, cinco anos depois do seu primeiro, que lhe rendeu um lugar ao sol nesse céu bruto da música brasileira.
Em Vagarosa Céu traz um repertório variado misturando como num liquidificador soul, reggae, experimentos, canções próprias e de outros compositores como “Rosa Menina Rosa” de Jorge Bem Jor, lançada por ele em seu brilhante primeiro álbum datado de 1963. Não é a toa que o disco foi aclamado pelos críticos da Revista Rolling Stone como o melhor lançamento do ano passado.
Com uma poesia simples, mas intimista, Céu consegue trazer suas referências para a dança, para a sala dos ouvidos e para os sentidos todos. Sua parceria com os meninos do grupo Nação Zumbi fez “crescer”, num sentido melhor possível sua musicalidade. As bordas das caixas, percussão e os riffs de guitarra tomaram um corpo particular que só Céu tem. A produção é assinada por Beto Vilares, Gustavo Lenzo, Gui Amabis e integrantes da banda Nação Zumbi, que tocaram no disco através do codinome de Los Sebosos Postizos, trabalho do grupo em homenagem ao compositor Jorge Ben.
São 13 faixas, sendo 12 com composições da própria Céu e ainda conta com participações importantes, mais que especiais de Luiz Melodia e também da cantora Talma de Freitas, da Orquestra Imperial. Com muito “Dub” e experimentos eletrônicos o disco se apresenta, mesmo com todos esses elementos, puro. Livre de referências diretas a outras cantoras da música brasileira, embora muitos críticos associem Céu a Vanessa da Matta.
O disco é inteiro bom, de se ouvir numa manhã calma ou numa noite de agito pelas ruas. Especial, vagarosamente doce e com pitadas de mangue, merece ser ouvido com atenção.
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