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A Guerra numa miragem de paz pela correspondente Guila Flint

 
Um olhar humano e além... assim é o livro “Miragem de Paz: Israel e Palestina, processos e retrocessos”. Assinado pela jornalista Guila Flint – correspondente internacional para veículos brasileiros como BBC Brasil e O Estado de São Paulo – o livro traz uma seleção de artigos, reportagens e entrevistas feitas por Guila durante 14 anos de sua história, de 1995 até 2009.

Nos primeiros dois capítulos, o livro reúne matérias escritas para diferentes veículos de comunicação e no terceiro e no quarto, especificamente textos feitos para o BBC Brasil. Os textos abordam os conflitos internos das duas sociedades, palestina e a israelense, envolvendo questões políticas, culturais, sociais e religiosas. Ler a obra é ter a clara noção de um ciclo, como descreveu a própria jornalista na introdução. “a leitura dos textos, com a perspectiva desses 14 anos desde o assassinato de Rabin, sugere um quadro cíclico e muitas vezes desesperador do conflito de Israel com o mundo árabe, particularmente com os palestinos, que já dura mais de 100 anos”.

A singularidade do livro – além da coragem de Guila – é seu olhar diante dos conflitos e dos detalhes do cotidiano israelense e palestino. Ela acompanhou de perto a guerra de outubro de 1973, a primeira Guerra do Golfo, em 1991, a primeira e a segunda intifada (1987 e 2000), as duas guerras do Líbano (1982 e 2006) e a ofensiva em Gaza, em 2009, quando segundo a própria autora, “a paz mais me parece uma miragem”. Frase utilizada como inspiração para compor seu título, de tão forte. “Ao longo desses 14 anos, fui testemunha de uma agonia dolorosa desse processo. Não só a paz, mas o próprio processo de paz parece ser uma miragem”, escreveu na introdução.

Sua inquietação em toda a obra, composta por 513 páginas, é evidente em cada palavra. Segundo ela, líderes israelenses e palestinos se reúnem, emissários americanos e europeus vão ao oriente Médio e voltam, o secretário geral da ONU faz declarações, os países árabes oferecem uma iniciativa, mas “nada muda” a paz não se torna mais concreta, “ao contrário, parece se distanciar cada vez mais”...

Outro ponto interessante da obra é a própria capa. Um muro cercado contendo em si um grafite. Segundo a autora, a foto foi tirada em 2005, do muro construído por Israel no trecho que atravessa a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde aparece um grafite criado pelo artista britânico Banksy. No desenho, um mar com coqueiros parece tirar do sufoco a realidade tão dura e tão difícil de enxergar.

A leitura da obra é fundamental para compreender o incompreensível. São fatos, relatos, visões de uma guerra que perdura e invade todo o resto do mundo com seus tentáculos invisíveis que abarcam fortunas e pobrezas. São cicatrizes e feridas abertas do que conta o livro. Indispensável.


Miragem de Paz: Israel e Palestina, processos e retrocessos
Editora Civilização Brasileira
513 páginas
Preço médio: R$ 60 reais

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