Dino Buzatti é um romancista italiano que atingiu fama mundial com “Deserto dos tártaros” seu trabalho mais reconhecido e impressionante, lançado em plena Itália fascista no ano de 1940. Inclusive foi uma própria experiência militar que inspirou Buzzatti a escrevê-lo, antes de a segunda grande guerra mundial estourar.
O romance é simples, mas seu estilo refinado a torna complexa: a história da vida do homem comum e suas inerentes expectativas de glória e redenção, elencadas na melancólica trajetória de Giovanni Drogo, um jovem tenente que é destacado para trabalhar no forte Bastiani, uma antiga fortaleza erigida na fronteira com um gigantesco deserto, que dá titulo ao livro.
Drogo reluta em aceitar sua posição e tem em mente uma transferência, não quer ter o mesmo destino dos oficiais que ofereceram suas juventudes em sacrifício do forte, mas há algo no velho edifício, uma espécie de fascínio que seduz os soldados e Drogo acaba mudando de ideia.
Neste linha é que a história se desenvolve, o tempo passa e a promessa de uma guerra iminente que nunca acontece é o que move os personagens em meia a paisagem áspera e isolada do deserto, o deserto da alma.
“Deserto dos tártaros” é uma interessante combinação de outros cânones literários, existe ali o realismo fantástico de Kafka, a melancolia romanceada de Thomas Mann e uma pitada do existencialismo severo de Camus, reunidos com uma coesão e originalidades deslumbrantes.
Fica por fim a reflexão sobre enorme catástrofe que se abateu sobre a Europa quando a guerra – a de verdade – estourou e a fulminante questão: devemos esperar as coisas acontecerem ou fazê-las acontecerem? Por sua atemporalidade e sofisticação, “Deserto dos Tártaros” é leitura obrigatória.
*Emanuel Diniz é graduando em Rádio e TV e não tem blog. Seu e-mail é dinix11@yahoo.com.br
Fotos:
Pierre Metivier
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