O que você procura quando abre um livro? Não um livro específico, mas no termo geral… Você procura ficção, informação, poesia? Uma literatura leve, que relaxe, mas que tenha conteúdo? Densidade nas entrelinhas sem que pareça maçante? E se tudo isso puder ser encontrado em apenas uma fonte? Pode sim: Fernando Sabino.
Fernando Tavares Sabino, nascido em Belo Horizonte – MG no dia 12 de outubro de 1923 e falecido no Rio de Janeiro em 2004, na véspera de seu aniversário de 81 anos, fez parte da chamada “geração mineira de 1945”, que contou, também, com nomes como Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino.
Com uma fluidez textual que impressiona, o escritor faz as letras flutuarem no papel. Seja em romances premiados, como “Encontro Marcado” (1956) e “O Grande Mentecapto” (1979), ou nas bem-sucedidas coletâneas de crônicas – “O Homem Nu” (1960), por exemplo – Sabino é daqueles escritores que viciam qualquer leitor.
Ao pegar um dos volumes de crônicas do autor, não é difícil que nos traiamos na inocência de um “vou dar só uma olhada no primeiro texto”. Quando percebemos, estamos facilmente na metade do livro.
Essas crônicas, em sua maioria, eram fruto do trabalho do escritor mineiro em jornais como Folha de Minas, Correio da Manhã e Jornal do Brasil, daí o caráter muitas vezes factual de seus textos. Talvez aí resida o grande trunfo de Fernando Sabino, conseguir um enfoque poético sobre o enfadonho cotidiano.
O conjunto de sua obra lhe rendeu o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, que se somou ao Jabuti que ganhara por “O Grande Mentecapto”, obra que foi adaptada para o cinema em 1989, pelo diretor Oswaldo Caldeira.
Mas de nada adianta ficar apenas nessas simples palavras sobre uma mente tão brilhante. Para a despedida, nada mais justo que reproduzir aqui o epitáfio elaborado pelo próprio Fernando Sabino às vésperas de sua morte:
“Aqui jazz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino!”.
Fotos:
Acervo da prefeitura municipal de Sete Lagoas
Tainara