Na visão do crítico literário Moacir Amâncio, a poesia de Marize traz a vida nas manifestações claras e escuras, que incluem a morte em seu processo. E faz mais. Ela consegue transcender a palavra com vigor de poucos.
Inspirada no tempo e nas passagens dele, Marize lançou recentemente “Lábios- espelhos” – seu quarto livro de poesia - uma obra capaz de revirar Deus ao avesso e colocar flores no altar do mundo. Escrever para ela é uma necessidade, como diz um de seus poemas mais fortes no livro, “Se não escrevo a poesia me engole. A maldição maior do poeta, a meu ver, é não escrever, pois ele deixa de ser”.
E deixar de ser não interessa a Marize. Cada dia mais convicta de sua vocação, sua poesia evolui. A clareza disso é não ter perdido o caminho, mesmo depois de 25 anos do lançamento de seu primeiro livro “Marrons, crepons, Marfins”, que guiou o caminho da poeta como um farol, abrindo caminhos.
O livro rendeu elogios de grandes críticos literários do Brasil como o próprio Moarir Amâncio e conseguiu fazer dela uma referência da poesia do Rio Grande do Norte.
Lábios- espelhos não foge à regra. Poemas como “Cortejo” retorna ao tema da morte e da vida, assim como João Cabral de Melo Neto, uma de suas referências. “A morte chega sob forma de asas/ às cinco e trinta da manhã no pátio desta casa/ resta-me abraçá-la/ o dia luminoso aplaude o cortejo (...)”
Crédito da foto: Canindé Soares