Missangas Moçambicanas - dois esses para Mia Couto

04 de julho de 2010, às 23h45min
por Edja Camila*
 
Estranhei ver a palavra “missanga” escrita com “ss”, já que aqui no Brasil nós escrevemos com “ç”. Estranhei ver o nome “Mia” em posse de um homem. Estranhei ver um homem branco na África. Estranhei a minha tamanha ignorância. Arte causa estranhamento e o meu encontro com este livro já foi algo artístico.

Uma vez um professor me disse que para conhecermos um outro país, uma outra cultura, uma outra língua, nós devemos beber da literatura deste outro país, desta outra cultura, nesta outra língua. Eu fiz isso. Conheci um país novo e jovem: Moçambique. Não tive a dificuldade de “traduzir” já que somos da mesma língua. Mas essa língua era nova pois trazia efeitos e sensações que eu nunca tive na minha.

Mia Couto nos apresenta as raízes de um país jovem. Raízes profundas e universais. O autor faz um belo colar de 29 missangas moçambicanas. Um material específico para compor um colar universal. “O fio das missangas” é um colar que demonstra todo o sentimento denso da humanidade. Uma densidade bela, lacrimosa e arrepiante.

Sobre o autor**

Mia Couto (Beira - Moçambique, 5 de julho de 1955) é um dos mais conceituados escritores da língua portuguesa. Fortemente influenciado por autores brasileiros, como Drummond e Guimarães Rosa, inclusive sendo sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras, Couto é mestre em tecer narrativas repletas de um realismo por vezes fantástico, remetendo a outro grande nome da literatura latino-americana, o argentino Julio Cortazar. Foi agraciado com os prêmios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António (2001, pelo livro “O último vôo do flamingo”), União Latina de Literaturas Românicas (2007) e Passo Fundo Zaffari e Bourbon (2007).

*Edja Camila é graduanda em Letras pela UFPB.

**Colaborou Cleo Lima.

Fotos:

Luis Miguel Martins

http://www.vivaviver.com.br/boa_leitura/missangas_mocambicanas_dois_esses_para_mia_couto/759/