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O Caminho das Últimas Estrelas do poeta Volonté

 
Curtos e com os sentidos aflorados entre um olhar revoltado e outro leve, os poemas do escritor potiguar Volonté trazem a humanidade para as respirar nas páginas.

Intitulado “Proemas” ou “O Caminho das Últimas Estrelas”, o livro, curto como são os poemas, traz depoimentos de artistas importantes como Dorian Gray Caldas a quem chama Volonté de poeta do cotidiano. “Quando nasceu o poeta Volonté, um ajo torno igual àquele que soprou ao ouvido de Drummonf disse: vai, poeta, ser maldito pelo mundo”, assim escreveu.

E depois dos depoimentos, sendo o último de Cid Augusto dizendo que Volonté “não busca consentimentos, enquadramentos estilísticos nem espera representar nada além do que o começa da metáfora”, o livro tem seu início, ou seu fim...
E Volonté abre com o elogio aos canalhas, disparando.

Só os canalhas vivem bem
eles são tantos pelo mundo
têm esposas amantes e prostitutas
contas em bancos cartões de crédito
celular e outras milongas mais
uns são dândis mauricinhos
outros bastardos
velhacos ladrões falsários e religiosos
só os canalhas vivem bem...

Editado pelo Sebo Amorim, as 48 páginas que seguem desafiam a linguagem e pestanejam os sentidos. Ele mesmo se define entre as obras e acalenta em outros momentos os semi-deuses. “Influenciado por um anjo maldito/ destruí um dos mitos/que me roubava o sono, atormentando-se: àquele da faca cega da paixão/ Das coisas que aprendi nesse mundo/ comecei a desconfiar de quase tudo ao me acordar/ vendo-me perdido/ no espelho/ diante da felicidade.

Nas suas disparadas de palavras, o autor brinca com letras de música e faz referência a escritores brasileiros como Drummond. No poema chamado “Caetanave” ele diz,

Dom de iludir
vontade de querer
quereres
ah furta-cor


Em trocadilhos bem vindos, outros desbocados ou desafiantes, Volonté carrega em versos curtos uma poesia singular. Como em Renato Russo revisitado,

Bares
vida noturna
temos nosso próprio tempo

Poemas intitulados como Adriana Calcanhoto e Antenas da Raça, oferecido a Arnaldo Antunes, o livro segue e brinda com “Pessoas chegam/vão/ferem/são feras/feridas.

E encerra: “Proesia luxo necessário”

Isso
é só
colagens

Colagens de idéias, de poemas, de ventos, inventos, pensamentos e devaneios de um poeta inconfundível e desafiador

Foto: helisa-rangel, Pedro Menezes e Carlos Jorge


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