Uma viagem pelo universo de Lygia Bojunga

28 de junho de 2010, às 12h53min
por Carlos Alberto Lima da Cruz
 
É fato que , de uma maneira geral, os temas considerados “adultos” costumam ser evitados/excluídos na Literatura Infanto-Juvenil. Questões como a morte, o homossexualismo, o aborto, o abandono, a miséria, etc, que povoam o nosso cotidiano, deixam de ser abordados quando se escreve para o público jovem, na maioria das vezes sob a hipocrisia da desgastada bandeira do “politicamente correto”.

Não há nenhum tipo de legitimidade em se tentar “preservar” a criança daquelas situações de cujo enfrentamento decorrerá o seu próprio amadurecimento.

Por outro lado, é preciso ressaltar que tão importante quanto focalizar as problemáticas existenciais no âmbito da Literatura Infanto- Juvenil, é escolher a estrutura formal mais adequada para o cumprimento dos objetivos junto ao público alvo. Nessa perspectiva, a linguagem utilizada assume um papel decisivo, na medida em que a ela cabe construir o componente persuasivo da mensagem.

Lygia Bojunga - escritora gaúcha, laureada em 1982 com o prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário infantil, uma espécie de Prêmio Nobel da literatura direcionada ao público jovem - talvez seja quem mais explora os temas ditos adultos na literatura direcionada ao público jovem, às vezes até com uma pitadinha de exagero, como por exemplo no conto “Tchau”. Lygia demonstra possuir o timing necessário para transformar “coisas de gente grande” em combustível para reflexões juvenis ao transitar por questões complexas como as desigualdades sociais, a dor, e a rejeição, tornando-as absolutotalmente acessíveis, mediante a utilização de uma linguagem simples, direta e objetiva, recheada de gírias, trazendo inclusive, em algumas situações, o desenrolar da trama para o espaço da sala de aula, como ocorre no tragicômico “O bife e a pipoca”.

*Carlos Alberto Lima da Cruz é escritor. Seu e-mail é carluzal@ig.com.br.

Fotos:

Vanessa Yvonne


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