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A Festa da Menina Morta: belo e humano

 


Matheus Nachtergaele estreou como diretor de cinema acertando em cheio. Seu primeiro longa “A Festa da Menina Morta”, que girou pelos cinemas brasileiros em 2009, traz densidade e a tragédia humana em forma de cinema. É nele, que uma menina morta revive na comunidade do Alto Rio Negro, no Norte do Brasil e desvenda ali, vidas e sensações comuns a todos os homens da face da terra.

Daniel Oliveira fez um dos personagens mais importantes de sua vida, sem dúvida, quando encobriu-se de verdade para viver o Santinho. Um jovem com o dom divino de revelar mensagens do céu aos romeiros e participantes dos festejos da Festa da Menina Morta.

A menina, falecida há 20 anos recebe homenagens e presentes todos os anos. Desaparecida misteriosamente, só restou de sua materialidade, restos de seu vestido, emoldurado e posto num vidro, como um amuleto.

O filme se passa na véspera da Festa e na forma utilizada pelo diretor de fotografia, Lula Carvalho, o espectador participa dos preparativos e da festa como se estivesse lá e fosse mais um a crer na existência dos milagres da menina.

A festa é uma forma que encontraram de lidar com uma morte sem sentido, bruta e inexplicável. Assim como colocamos outras possibilidades de vida no lugar de algo que já se foi, enfrentar a saudade é uma das tarefas mais árduas do longa, com roteiro de Matheus.

Além de Daniel Oliveira, Jackson Antunes (pai de Santinho), Cássia Kiss (mãe de santinho) e Dira Paes (jovem da comunidade), traçam o mosaico de informações que completam uma parte do quebra cabeça da existência de Santinho. E assim montamos o nosso próprio quebra cabeça de um filme intenso que revela não só a saudade da menina vivida pela comunidade, como a saudade existente em nós mesmos. Um dos mais belos filmes brasileiros já rodados.

Depois do filme, nos créditos, uma canção emoldurando tudo, parecendo flores caindo na gente.. ou dores, que diz...

A festa da menina morta
É festa de quem já se foi
É noite clara pra chorar
E se chorar
Lágrimas noite adentro

Se o medo imperar
Tem que pesar

O chão
Olhe ao redor
Veja quem vem
Que o mundo é real ilusão

Olhe ao redor
Veja quem vem
Que o mundo é real ilusão

Mas se
O dia nascer azul
Na mata fechada
Quero lhe encontrar deitada
Pronta para despertar
Pronta para despertar







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