A dupla Simon Pegg e Nick Frost já brindou o público com filmes divertidíssimos, como Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, ambos infelizmente lançados diretamente em dvd no Brasil. Com a nova parceria, Paul, eles entram em cartaz nos cinemas.
Paul é o nome de um alienígena que volta à Terra cinquenta anos após sua primeira incursão, agora a fim de reencontrar a menina que o salvou. Quem ajudará o ET serão os nerds Clive e Graeme, que sairam da Inglaterra para realizar o sonho de participar da Comic-Con, maior feira de cultura pop do mundo, que acontece anualmente na Califórnia, EUA.
A química entre Pegg e Frost é evidente e o timing afiado de ambos gera momentos hilários, complementados ainda por diálogos sarcásticos de autocrítica e críticas sociais, especialmente no que tange as questões religiosas e científicas. A dupla foi também responsável pelo roteiro, escrito no melhor estilo Sessão da Tarde e só não será exibido à exaustão na tevê como tal, por causa da quantidade desenfreada de piadas sexuais e a sanguinolência inesperada – e por vezes chocante – da sua segunda metade.
Mais um filme da panelinha de novos comediantes estadunidenses, tem em sua equipe nomes como Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos), Bill Hader (Superbad), Jason Bateman (Ressaca de Amor) e Joe Lo Truglio (Superbad), além do diretor Gregg Motolla (Superbad). Outros nomes conhecidos do grande público também povoam o filme, na intenção de fazer piadinha e conexão com outros filmes de alienígenas, mas nenhuma destas participações funciona e é justamente no momento em que elas surgem, que o filme perde a graça.
Como efeitos visuais já não são mais fatores revolucionários, a composição do alienígena fica quase banal, mas é preciso ressaltar a evolução no trabalho de movimentação de boca deste bicho, bem próxima do natural humano. Sua dublagem, por Seth Rogen, soa estranha no começo, pois o tom grave da voz do ator parece incompatível com um corpo tão mirrado como o de Paul. Depois de um tempo acostuma-se com o fato, principalmente porque Rogen também faz rir um bocado.
Longe ser intelectual e muito próximo da atual onda cômico-nerd que vira-e-mexe entrega títulos divertidos para o cinema, Paul é uma boa opção para um programa vespertino de fim de semana ou uma válvula de escape após um dia cansativo de trabalho.
*Fred Burle, de 27 anos, é mineiro, morou nove anos em Brasília. Recentemente mudou-se para Berlim, onde trabalha como produtor audiovisual. Mantém o blog http://www.fredburlenocinema.com.