Muito além do palco iluminado: a história do Rush.
09 de agosto de 2010, às 04h54min
por Emanuel Diniz*

Com apresentações marcadas no Brasil para o mês de Outubro, o grupo Rush retorna ao país depois de 8 anos, e faz a sua segunda visita às terras tupiniquins. A primeira visita teve como resultado o DVD Rush In Rio, uma performance memorável com quase 3 horas de duração de uma banda madura em um espetáculo pungente.
Hoje as atenções se voltam para o excelente documentário de Sam Dunn e Scot McFadyen, registro dos 42 anos de carreira da banda, que passou por altos e baixos e várias mudanças sonoras, mas que transformou-se em fenômeno cult arrebatando fieis e devotos fãs por todo o globo, inclusive no Brasil.
“Beyond The Lighted Stage” traça o perfil de cada um dos membros, contextualizando o nascimento da banda na cinzenta paisagem canadense de Toronto. O filme mostra como Geddy Lee e Alex Lifeson se tornaram grandes amigos de infância, e também como suas famílias partilharam o fato de aportarem na América como fuga das atrocidades que ocorriam na Europa na metade do século XX.
O documentário segue a formula clássica: os primeiros passos no mundo da musica, conflitos familiares, primeiros discos e impressões, entrecortados por entrevistas com o próprio grupo, músicos, produtores e parentes, aliados a um vasto e raro material de arquivo. O bom humor serve como tempero, até mesmo em momentos mais complicados.
Dentre os ilustres depoimentos, surgem na tela ótimas passagens com Gene Simmons, Kirk Hammett, Trent Reznor, Billy Corgan, Jack Black, entre outros que expressam a sua relação afetiva com a banda e a influência que ela teve em seus trabalhos.
O segredo do sucesso do filme é que nem todas as manifestações são laudatórias, não é um documentário feito para defender o Rush, mas, com franqueza, esmiuçar o desenvolvimento da banda, incluindo os fracassos, sucessos, conflitos pessoais e mudanças de direção, que nem sempre agradaram a todos, além do fato de que a banda nunca se valeu de apelo estético e teve ousadia para arriscar num momento extremamente sensível de sua carreira. Além disso os realizadores possuem um grande senso de direção de seus personagens, que saltam à tela, estão vivos e tornam a experiência bastante imersiva.
Vendo este documentário dá pra entender perfeitamente as várias decisões da banda, e o melhor: compreender, definitivamente, a inclassificável e complexa música do Rush e o fato de que até hoje a banda ainda conquista admiradores e consegue lotar seus concertos com certa facilidade.
Para os fãs e admiradores que pretendem ver alguma das apresentações da banda nos dias 08 e 10 de Outubro em São Paulo e Rio de Janeiro, “Beyond The Lighted Stage” é uma excelente dica de aquecimento. E uma sugestão também pra quem não conhece ou mesmo não gosta da banda, vale a pena conferir.
*Emanuel Diniz é graduando em Rádio e TV.
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