Num campo de concentração, em Auschwitz, Segunda Guerra Mundial. Homens, mulheres e crianças foram divididos por princípios alucinados da existência de uma raça pura. Os judeus não eram considerados gente na visão dos nazistas que se consideravam superiores e faziam dos seus “escravos” o que queriam inclusive mandá-los para câmaras de gás até que o ar se transformasse em morte.
Nesse ambiente doloroso e cinza, a história de dois meninos se cruza. Bruno, filho de um dos grandes comandantes nazistas está morando com sua família numa casa próxima ao campo de concentração. Sem saber exatamente o trabalho de seu pai, o menino carrega um olhar inocente que aos poucos passa a perceber a crueldade exercida em sua própria casa.
Convivendo com o tédio e a ausência de crianças e até mesmo da escola, ele passa a explorar o quintal de sua casa, local proibido. Numa de suas andanças, ele encontra sentado no chão – do outro lado do arame farpado - um menino. Filho de judeus, o menino veste um pijama listrado com um número costurado em seu uniforme. E Bruno acredita ser uma brincadeira. Aos poucos a realidade atravessa os sentidos de Bruno e ele passa a sentir a crueldade do nazismo na própria pele, assim que o menino se transforma no seu melhor amigo.
Dirigido por Mark Herman, o longa traz um dos olhares mais inocentes já vistos no cinema sob a ótica do nazismo, depois do italiano “A Vida é Bela”. Em “O Menino do Pijama Listrado”, o argumento é todo construído a partir da ótica dos dois meninos. Um que observa e estranha a discriminação do outro. E um menino que sofre a própria discriminação na pele. Juntos, eles descobrem que o nazismo foi um dos grandes absurdos da história da humanidade. E lançam o olhar muito além quando questionam o momento em que vivem de uma maneira pura e distante da política louca que assolava a Alemanha.
A fotografia e a trilha sonora são encantadoras. E permitem ao espectador um momento de reflexão de si mesmo. Entre brincadeiras e absurdos, os meninos conseguem rir, chorar e não perdem a inocência, mesmo estando hospedados num dos lugares mais desumanos do mundo.
Comentários
eu assisti o filme e achei muito comovente a parte e a parte em que a mãe dele acha que ele sumiu mas quando ela ve que ele sumiu e que ele ve que é uma amizade de verdade do garoto nazista .........
Li O Menino do Pijama Listrado. Fiquei comovida, extasiada, surpresa. Viajei nas páginas do livro como quem volta a um passado que não conheceu palpavelmente. Como lembranças que não vivi. E sob a ótica das crianças, é impressionante a construção do texto. No auge dos seus nove anos, nascidos no mesmo dia e ano, há horas em que parecem dialogar como adultos na simplicidade de seus - poucos - conhecimentos sobre a realidade vigente.
Ao final do livro passei mais de 15 minutos chorando perplexa com tudo. Pensei nos milhões de pessoas mortas pela absoluta loucura de um homem sem tamanho algum de caráter. Chorei dias como se a história fosse verdade e tivesse acontecido a poucos metros de mim. Chorei à memória de um senhor judeu de 80 e tantos anos, fugitivo de um campo de concentração, cujos olhos mais que marejaram ao falar da mae e da irmã mortas bem de frente a mim.