O Menino do Pijama Listrado: os arames farpados que separam a vida
26 de junho de 2009, às 15h24min
por Michelle Ferret

Num campo de concentração, em Auschwitz, Segunda Guerra Mundial. Homens, mulheres e crianças foram divididos por princípios alucinados da existência de uma raça pura. Os judeus não eram considerados gente na visão dos nazistas que se consideravam superiores e faziam dos seus “escravos” o que queriam inclusive mandá-los para câmaras de gás até que o ar se transformasse em morte.
Nesse ambiente doloroso e cinza, a história de dois meninos se cruza. Bruno, filho de um dos grandes comandantes nazistas está morando com sua família numa casa próxima ao campo de concentração. Sem saber exatamente o trabalho de seu pai, o menino carrega um olhar inocente que aos poucos passa a perceber a crueldade exercida em sua própria casa.
Convivendo com o tédio e a ausência de crianças e até mesmo da escola, ele passa a explorar o quintal de sua casa, local proibido. Numa de suas andanças, ele encontra sentado no chão – do outro lado do arame farpado - um menino. Filho de judeus, o menino veste um pijama listrado com um número costurado em seu uniforme. E Bruno acredita ser uma brincadeira. Aos poucos a realidade atravessa os sentidos de Bruno e ele passa a sentir a crueldade do nazismo na própria pele, assim que o menino se transforma no seu melhor amigo.
Dirigido por Mark Herman, o longa traz um dos olhares mais inocentes já vistos no cinema sob a ótica do nazismo, depois do italiano “A Vida é Bela”. Em “O Menino do Pijama Listrado”, o argumento é todo construído a partir da ótica dos dois meninos. Um que observa e estranha a discriminação do outro. E um menino que sofre a própria discriminação na pele. Juntos, eles descobrem que o nazismo foi um dos grandes absurdos da história da humanidade. E lançam o olhar muito além quando questionam o momento em que vivem de uma maneira pura e distante da política louca que assolava a Alemanha.
A fotografia e a trilha sonora são encantadoras. E permitem ao espectador um momento de reflexão de si mesmo. Entre brincadeiras e absurdos, os meninos conseguem rir, chorar e não perdem a inocência, mesmo estando hospedados num dos lugares mais desumanos do mundo.
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