O país das maravilhas pela lente de Tim Burton

03 de maio de 2010, às 10h09min
por Gil Oliveira
 
Que a mente do diretor e produtor de cinema Tim Burton é um pouco perturbada, isso a gente já sabe. Basta dar uma olhada pela filmografia do cara para ter certeza de uma coisa: ele não tem o menor pudor ou receio em experimentar e inovar. Em muitas vezes, ele acerta em cheio, como em “Batman”, “Os Fantasmas se Divertem”, “A Noiva Cadáver”. Em outras, suas obras beiram um grande mico (“Batman Returns” e “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”).

Além da áurea gótica e influência do cinema mudo dos anos 40, que norteiam todos os trabalhos de Burton, outra característica lhe é peculiar: a busca por atores que personifiquem suas loucuras. Michael Keaton já foi um deles, mas foi em Johnny Depp que Tim encontrou sua alma gêmea. Mais ainda que Helena Bonham Carter, sua esposa sempre presente em seus filmes porém sem atingir 1% do brilho dos personagens interpretados por Depp.

A conclusão, ao analisar o trabalho de Burton, é que ele não está nem aí. Indicado ao Oscar, seus filmes são sucesso de bilheteria, ainda que causem estranhesa e a incompreensão de muitos expectadores, bem como o amor incodicional de muitos admiradores.

“Alice no país das Maravilhas” (Alice in wonderland,Disney 2010) caiu como uma luva na mão de Tim Burton. Personagens surreais, cenários psicodélicos e uma história pra lá de maluca. Cortesia de outra mente de criatividade sem fronteiras: Charles Lutwidge Dodson, mais conhecido como Lewis Carrol. Como não podia deixar de ser, Burton se dá ao luxo de meter o dedo na obra de Carrol, contando à sua maneira a consagrada história de Alice Liddell.

O que o diretor fez foi examinar a obra completa de “Alice” - que além de “O País das Maravilhas”, inclui a continuação “Através do espelho”- e transformar em uma aventura gótica adolescente (que chega a dar um pouco de sono em alguns momentos), sem o complexo jogo de mensagens subliminares baseado em jogo de xadrez e de cartas de Lewis Carrol. A história mostra uma Alice aos 19 anos em uma festa da nobreza em Oxford, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, foge seguindo um coelho branco e vai parar no País das Maravilhas, um local que teria visitado aos seis anos, mas que não lembrava.

Em meio a crises existenciais, a personagem encontra um caminho que muda a história dos amigos maravilhosos e a sua própria. O “mico” dessa fez ficou mesmo com bela Anne Hathaway (de “O Diabo veste Prada”), que interpreta uma perdida Rainha Branca e com a musa número 2 de Burton, Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha “sem pé nem cabeça”, ou melhor, com bastante cabeça.

Mas, que outro diretor seria capaz de dar vida aos personagens do conto inglês com tanta maestria senão Burton? O figurino é impecável, a trilha sonora (gótica como sempre) faz o casamento perfeito com as cenas é assinada (mais uma vez) pelo mestre Danny Elfman. A fotografia do filme é um caso à parte. Uma verdadeira pintura, que deixaria o exigente ilustrador original do livro, John Tenniel, muito orgulhoso. Como era de se esperar Depp mais uma vez rouba a cena, tanto que o cartaz de maior sucesso nos cinemas mostra a foto do Chapeleiro Maluco e não da protagonista Alice.

Na primeira semana de lançamento nos EUA "Alice in Wonderland" arrecadou mais de R$ 232,6 milhões. O filme também ganhou o título de "maior estreia em 3D", superando Avatar, com seus R$ 154 milhões no primeiro fim de semana em cartaz. Até agora, a película arrecadou mais de US$877 milhões em todo o mundo segundo o site Box Office Mojo.

"Alice" virou o maior sucesso em animação da história da Disney e o terceiro filme de maior sucesso em "animação" de todos os tempos. Números inimagináveis? Não se surpreenda. É mais um caso do insano mundo maravilhoso de Tim Burton.

Fotos: Divulgação
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