Os Mercenários - Uma homenagem ao saudoso cinema de ação dos anos 80
30 de agosto de 2010, às 05h02min
por Emanuel Diniz*

Já é sabido que “Os Mercenários”, o novo filme de Sylvester Stallone, conseguiu reunir um elenco recheado de estrelas do universo de filmes de ação, com nomes como Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgreen e Mickey Rourke. Também já é de conhecimento geral que o mesmo Stallone escolheu locações no interior do Rio de Janeiro para rodar partes da película.
Mas é preciso ir conferir o filme pra saber realmente do que se trata. No meu caso, o que mais me atraiu emocionalmente foi o fato de que o projeto faz uma homenagem singela aos grandes filmes de ação da década de 80. Na época, a guerra fria ainda inspirava megaproduções explosivas como “Comando para Matar”, “Braddock” e, claro, as intempéries da vida do ex-boina verde John Rambo.
Todos os elementos consagrados nesse momento da história do cinema estão lá: ditadores de alguma ilha no hemisfério sul, autoridades corruptas sedentas por dinheiro e heróis desfilando toda a testosterona possível. Há também o senso inconfundível de justiça armada, de fazer o que é certo, mesmo que pela força.
O que chama a atenção no filme é a honestidade. Ele não se pretende nada mais do que realmente é. Um filme de ação, feitos nos moldes antigos. Não existe nenhuma mensagem à humanidade, ou uma tentativa de drama existencial piegas, embora a motivação dos heróis seja um ideal de justiça questionável. Não há nem mesmo as toneladas de efeitos computadorizados, tão em voga hoje em dia. A ação é muito mais mecânica, coreografada e bem produzida, refletida no fato de que o próprio Stallone, no auge dos seus 64 anos, dispensa dublês para as cenas mais difíceis.
Os bastidores também chamaram bastante atenção, devido às polêmicas declarações de Stallone sobre filmar no Brasil e o fato de que a produtora está em litígio com algumas empresas brasileiras que os acusam de dar um calote. Nada muito fora do normal para um filme que se chama “Os mercenários”.
Saí do cinema com aquela aura nostálgica, um sorriso despretensioso no rosto, pensando intimamente... por onde anda o Chuck Norris? Para os amantes desse gênero frenético e descerebrado é uma ótima opção, pra quem cresceu vendo explosões e tiroteios na sessão da tarde, vale também dar uma checada. Pelo menos uma cena já tem seu lugar garantido na antologia dos filmes de ação: Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e Sylvester Stallone dentro de uma igreja, em uma seqüência com muito bom humor.
*Emanuel Diniz é cinéfilo, devorador de livros, maníaco por música e graduando em Rádio e TV pela Ufrn.
Fotos: Divulgação
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