Resenha - O Mundo imaginário do Dr. Parnassus.

17 de maio de 2010, às 12h54min
por Emanuel Diniz
 
A obra de Terry Gillian, único americano entre a trupe britânica do Monty Python, é sabidamente recheada de delírios visuais, narrativas fantasiosas e imagens inesquecíveis. Da fabula orwelleana “Brazil”, passando pelo pós-apocaliptico “Doze Macacos” e chegando ao estranho “Contraponto”, a única coisa que se pode frisar é que o talento de Terry é inquestionável, embora nem sempre seus filmes causem furor nos circuitos, muitas vezes passando batidos por inúmeras audiências.

Quem conhece seus filmes sabe muito bem que Gillian não costuma decepcionar. Geralmente formada por um publico que está apto a experiências diferenciadas no cinema, seus fãs e admiradores sempre esperam por algo novo e de qualidade na tela. Não é diferente com seu ultimo filme “O Mundo imaginário do Dr. Parnassus”.

Apesar de um grande problema que se apresentou na produção do filme – a morte prematura de Heath Ledger, antes do termino das gravações – Gillian contou com a enorme ajuda de amigos de peso : Johnny Depp, Jude Law e Collin Farrel e conseguiu terminar a sua obra, em uma jogada muito bem feita, pois não seria diferente se o filme já tivesse sido pensado assim desde o inicio.

Na trama, o Dr. Parnassus faz um pacto com diabo Nick(muito bem interpretado por Tom Waits) para obter a imortalidade. Em troca, lhe oferece sua filha quando esta completar 16 anos. Pensando em enganar o diabo, Parnassus decide nunca ter uma filha, mas acaba sendo vencido pela força irrefreável de uma paixão. Agora Nick está de volta e quer cobrar sua parte no acordo, quando Valentina, a filha de Parnassus está prestes a completar 16 anos. A última cartada de Parnassus é conseguir cinco almas para o diabo em três dias, a fim de que sua dívida seja perdoada. O velho e bêbado mago conta com a ajuda de um misterioso homem chamado Tony, que é encontrado pendurado em uma corda debaixo de uma ponte. Neste ínterim, somos apresentado ao seu fabuloso mundo imaginário, que se revela através de um falso espelho em um show de sua trupe intinerante que percorre uma espécie de Londres atemporal. Qualquer descrição desse curioso mundo será quase que traidora aos aspectos criados por Gillian, que fez um uso moderado e extremamente criativo de computação gráfica para criá-lo.

É justamente no paralelo entre a vida opressora em uma cidade escura e seu imaginário colorido e surreal que a boa trama do filme de sustenta. O resultado é uma afinada e dinâmica poesia visual que arrebata a atenção do espectador. Quando parecia que tudo ia dar errado, Gillian contou com a sorte. Mas nem tudo são flores... a distribuição do longa, infelizmente, foi capenga e se espera até agora que o filme estréie em salas brasileiras. E se serve de aviso, “O Mundo imaginário do Dr. Parnassus” vale muito o ingresso, pois se trata de uma experiência formidável.

*Emanuel Diniz é graduando em Rádio e TV e não tem blog. Seu e-mail é
dinix11@yahoo.com.br

Fotos:
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