Robin Hood - Batalhas estonteantes mergulhadas em um roteiro mais didático

31 de maio de 2010, às 22h46min
por Jalmir Oliveira
 
O novo filme sobre o personagem mítico inglês, Robin Hood, não se parece em nada com o herói que permeia o consciente coletivo da população que cresceu ouvindo suas histórias. Na obra de Ridley Scott, o famoso “príncipe dos ladrões” é descrito de forma didática.
O roteiro usa a premissa da formação intelectual do herói. Nesta versão, o herói Robin Longstride (Russell Crowe – numa interpretação semelhante a do filme “Gladiador”, também dirigido por Scott), é firme com seus princípios morais e sentido de justiça que estão profundamente enraizados e vão aparecendo ao poucos: o seu lado humanista e defensor da sociedade surge na medida em que o filme avança. Este subterfúgio é interessante, não cai em clichês e dá novo fôlego para a história: será que teremos o Robin Hood 2?

O filme transcorre durante a volta de Rei inglês Ricardo Coração de Leão das malfadadas Cruzadas, durante o ano de 1122. No retorno para Londres, o rei saqueia todas as terras por onde passa para saldar as enormes dívidas contraídas no período que passou fora combatendo na infame empreitada. O acaso coloca de posse da coroa do rei, morto em batalha na França, e da espada de um de seus cavaleiros, Robert Loxley, o herói da trama. A devolução de uma espada valiosa ao pai do cavaleiro, Walter (numa grande interpretação do ator sueco Max Von Sydow), fará com que Robin se veja numa situação singular: a pedido de Walter, vai se passar por seu filho, além de marido da viúva de Robert Loxley, Lady Marian (Kate Blanchett). Um grande truque do roteiro para aproximar os três, já que se o xerife de Nottingham (Matthew Macfadyen) descobrir que Sir Robert morreu, todas as suas terras voltarão para a coroa inglesa. Para todos os efeitos, então, a partir do momento em que chega a Nottinhgam, Robin deixa de ser Robin; passa a ser Robert Loxley, senhor de uma vasta porção de terras, ainda que muito empobrecidas.

Chega o momento de transformação: o Robin fora da lei. Contudo, ele tem papel decisivo na derrota de um exército francês que chega por mar – ajudado por um membro da coroa inglesa que procurava desestabilizar o reino. Este episódio foi real e aconteceu, no entanto, é óbvio, Robin Hood nunca teve alguma participação. Ridley Scott adora mexer com brios dos historiadores. Neste caso, a realidade história é irrelevante. Para Ridley Scott o mais importante é a narrativa. E nisso ele é mestre. Várias cenas de luta e batalhas estonteantes. O filme pode decepcionar quem esperava algo semelhante à versão de 1991, com Kevin Costner no papel principal, mas deixará muitos felizes com a criação de uma história verossímil, mesmo sendo pura ficção, para a recriação do mito inglês.

*Jalmir Oliveira é administrador e graduando em comunicação. Seu e-mail é jalmir_ipb@hotmail.com

Fotos:

Imagens do filme

http://www.vivaviver.com.br/cine_pipoca/robin_hood_batalhas_estonteantes_mergulhadas_em_um_roteiro_mais_didatico/722/