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Wall-E – Um robô cheio de amor numa aventura futurista
04 de janeiro de 2010, às 09h54min
por Tiago Mesquita
Como a Terra vai acabar, ainda ninguém sabe. Mas que dá pra ter uma idéia pelo rumo que as coisas andam tomando, isso dá. Uma civilização que consome a ritmos progressivos e avança desmesuradamente às custas de recursos naturais limitados e da destruição de outras espécies certamente tem tudo pra ir não pra frente. E pra impedir todo um planeta de seguir vivendo.
A ironia dá história é justamente essa ignorância, que impede a humanidade de ver o estrago que está causando e é capaz de causar. Que impede de ver que as espécies destruídas, sejam minerais, vegetais, animais, ou até outros ais que os homens ainda desconhecem, são fundamentais para o equilíbrio e a própria possibilidade da existência de vida humana no planeta.
Um aprofundamento na temática, em especial nos desdobramentos que essa ação inconsciente da humanidade pode levar, e surge Wall-E. Num cenário futurista, não tão utópico assim, onde o mundo e a natureza foram quase que completamente destruídos pela raça humana. Wall-E, escrito e dirigido por Andrew Stanton (Toy Story e Procurando Nemo), conta a saga de um solitário robô programado para limpar a sujeira do homem. Sua vida basicamente se divide entre compactar o lixo do planeta em cubos e empilhar uns sobre os outros formando prédios do tamanho de arranha-céus.
Entre um afazer e outro, Wall-E acaba encontrando alguns objetos, e seguindo uma intuição bem peculiar reúne os mais interessantes e transporta para sua fortaleza: um caminhão super equipado, estilo operações especiais do pelotão de elite de alguma força armada. O caminhão serve de casa para o robô, e abriga tanto as relíquias que ele encontra quanto seus equipamentos de trabalho.
Wall-E não é um robô qualquer. Ele joga videogame. Ele conserta a si mesmo, usando seu estoque de peças abastecido com sucata de outros robôs da série Wall-E. E o mais admirável: ele ama. Sim, Wall-E é um robô bastante amável, e tem inclusive uma pequena barata, Hal, como fiel companheira. Sua única e maior companhia, a propósito. Mas isso só até a chegada de Eve, uma robô de modelo mais avançado trazida por uma nave que desembarca subitamente no planeta.
No começo Wall-E fica assustado e nem imagina do que se trata, mas logo se deixa levar pela curiosidade e acaba seguindo a tal Eve para onde quer que ela vá. Assim que desembarca, Eve nem se dá conta da existência de Wall-E, e segue diretamente para cumprir sua missão, que a princípio mais parece um reconhecimento da Terra.
Entre uma busca e outra, Eve acaba se deparando com Wall-E e percebe que ele também é um robô como ela, mas com algumas diferenças. Enquanto Eve é mais avançada tecnologicamente, Wall-E é mais desenvolvido humanamente. Conforme eles se conhecem, vão desenvolvendo uma linguagem, e ensaiam algo que poderia ser visto como uma analogia à própria evolução dos homens dentro do reino dos primatas. No esquema de ouvir e repetir, um começa a aprender o nome do outro e assim passam a se comunicar.
Desse encontro cresce uma amizade que amplia a família de Wall-E. Agora ele já tem dois amigos, ou melhor, duas: Hal e Eve. Mas o começo dessa nova relação de amizade não é tão fácil para Wall-E. Enquanto ele traz toda sentimentalidade de uma programação humanizada, Eve ainda parece fria para essas coisas do coração. Wall-E tenta, insiste, se esforça para criar alguma situação de aproximação, alguma oportunidade de mostrar todo seu sentimento.
A verdade é que por mais que Wall-E tente mostrar ou dar seu amor para Eve, ela nada vê ou sente de tão especial por ele até um dos momentos mais marcantes do filme. Quando estão em seu caminhão-fortaleza, Wall-E mostra a Eve uma bota que encontrou, com uma planta recém-nascida saindo de dentro. Eve instantaneamente muda seu comportamento e ativa algo como um modo de emergência. Então ela guarda o vegetal em um compartimento de seu corpo e automaticamente entra em hibernação, sinalizando seu estado com um led verde aceso em formato de planta.
Wall-E fica desconcertado com tudo aquilo, e até se aflige com a reclusão, encasulamento, de Eve. Mais desconcertado ainda ele fica quando vê Eve sendo levada pela mesma nave que a deixou no planeta. Como num ataque desesperado, gerado pela ameaça de perder o seu amor, Wall-E parte a toda velocidade em direção à nave prestes a decolar. E para surpresa de todos, principalmente de Hal, sua companheira barata, ele salta da plataforma de lançamento e se agarra na nave.
Agora Wall-E está a um passo de conhecer a vida fora dessas leis de gravidade e flutuar pelo espaço sideral com destino a uma aventura que está apenas começando.