Basta um rápido passeio pelas ruas das cidades brasileiras para constatar que cada vez sobra menos espaço para circular. Não, as ruas não estão encolhendo. É o número de automóveis que circula por elas que não consegue parar de crescer.
São carros e carros que se apertam e esforçam para dividir espaço num cenário que fica mais complicado a cada dia que passa. As horas de pico não enganam, e mostram com clareza a realidade que estamos projetando pra um futuro que está bem mais próximo do que muitos podem pensar. Mas o fato de ter filas e filas de carros entupindo as avenidas não expõe o problema por inteiro. Vale nos lembrarmos da questão poluição, que sem dúvida alguma é a mais preocupante.
Se imaginarmos a quantidade de monóxido de carbono emitida diariamente por toda frota de veículos do país, certamente poderíamos reconstruir cidades e cidades inteiras usando apenas fumaça. De acordo com o IPCC, Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, 28 bilhões de toneladas de CO2 são despejados anualmente na atmosfera. Destes, 13% é proveniente do setor de transporte. O CO2, também conhecido como dióxido de carbono, é responsável por 64% do efeito estufa.
Para se ter uma idéia, somente São Paulo tem uma frota de aproximadamente 7,3 milhões de veículos. Quanta poluição é gerada pelo trânsito de tanto carro assim? As principais fontes de poluição atmosférica nos grandes centros urbanos são os veículos. O último relatório da CETESB, a Companhia de Tecnologia Ambiental de São Paulo, realizado em 2003, conclui que 97% dos poluentes na região metropolitana de São Paulo são emitidos por veículos em circulação ou em processos evaporativos de seus reservatórios.
E foi diante desse quadro crítico, repleto de estatísticas alarmantes, que surgiu o Dia Mundial Sem Carro. Iniciado na França, em 1998, o movimento rapidamente se estendeu por toda a Europa e chegou aos outros continentes. Aqui no Brasil, acontece desde 2001, e a cada ano conta com mais adeptos e simpatizantes. Hoje, o Dia Mundial Sem Carro é realizado em cerca de 2 mil cidades espalhadas pelo mundo, dentre as quais algumas brasileiras.
O evento acontece 22 de setembro, e tem como principal proposta estimular os motoristas a deixarem os automóveis na garagem e buscarem outras formas de locomoção, que poluam pouco ou nada o ambiente. A sugestão é utilizar o transporte público, ir bicicleta ou a pé.
O movimento também é parte da campanha
Tic Tac Tic Tac, que tem como objetivo ampliar o envolvimento da sociedade civil com a causa ambiental, em especial com a problemática do
aquecimento global. Como também de mobilizar a opinião pública para exigir uma participação mais ativa dos governantes na COP 15, a Conferência da ONU sobre o Clima, marcada para dezembro em Copenhague, na Dinamarca.
“Até lá, a gente vai promover uma série de atividades visando mobilizar a sociedade civil, já que estamos em um momento em que não adianta apenas as ONGs falarem da necessidade de salvar o planeta. E o presidente Lula tem de ir a Copenhague para assumir metas eficientes de redução do aquecimento global”, explica Leandra Gonçalves, ativista do Greenpeace.
Fotos:
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