Na semana do “Earth Day” (Dia da Terra) – e do descobrimento do Brasil, por que não? – na qual todos os holofotes se voltam – mais ainda, combinemos – para os problemas relativos à consciência ambiental, nada mais justo que abrir um espaço para falar de iniciativas válidas que não recebem a atenção necessária. Conheça a ONG “Gente Feliz”:
Aliviar a natureza, reutilizar o que era considerado inutilizável, gerar trabalho e criar perspectivas para a vida de muita gente. Todas essas ações traduzem o esforço da Organização Não-Governamental “Gente Feliz”. Essa iniciativa vem, há sete anos, levando carinho, dedicação e gerando oportunidades a jovens e adultos do bairro Cidade Nova, na zona oeste de Natal. Alocada em um galpão com mais de trinta metros quadrados, a iniciativa vem recebendo apoio do governo municipal. Mas nem sempre foi assim.
Há cerca de dois anos, a Gente Feliz funcionava no bairro do Planalto sem receber nenhum tipo de ajuda. Contas como aluguel de prédio eram pagas através da boa vontade de alguns parceiros. “Agora nós estamos recebendo apoio da prefeitura. No nosso espaço, além das oficinas que temos, contamos com um Telecentro equipado com computadores. Aqui também se ensina a utilizar a tecnologia”, explica a artista plástica Leda Medeiros, coordenadora do projeto.
Porém, a parte considerada “rústica” é a grande razão de ser do lugar. “Aqui na ong oferecemos oficinas de vários tipos de materiais. Reutilizamos garrafas PET, alumínio, papel, palha de coqueiro (quando é cortada e jogada fora), e ainda tudo o que pode ser reaproveitado”, explica a artista. O trabalho social da ong vai além das oficinas oferecidas à população, já que um acompanhamento é feito com a família dos alunos. “É fundamental que os alunos das oficinas estejam estudando”, declara Leda.
O projeto visa também a trabalhar na reintegração escolar dos jovens que abandonaram a escola por algum motivo. “Há casos de alunos que abandonaram a escola para fazer algum biscate. Quando isso acaba, eles ficam sem o bico, sem emprego e sem qualificação”, explica a presidente da Ong. A Gente Feliz também encaminha as crianças para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), e, dessa maneira, as família envolvidas ganham uma ajuda de custo. “A ong atrai o jovem que está sem fazer nada e o insere em uma oficina. Depois do curso ele pode continuar na reciclagem para gerar uma fonte de renda”, afirma Leda.
Uma das bases para a criação dos objetos de arte pela ong está na forma e no carinho com que são trabalhadas as peças. “Reciclamos o lixo e fabricamos produtos de luxo. É necessário reutilizar com muita dedicação”, complementa a responsável. As turmas contam com até 25 alunos para cada oficina. “É gratificante trabalhar ensinando. Recebemos o papel velho e fabricamos blocos, cartões, pastas, tudo com ótimo acabamento”, disse Jorge Siqueira da Silva, um dos recicladores.
Os trabalhos são vendidos em exposições e feiras. “É uma pena que as pessoas ainda não tenham atentados para a reciclagem. O nosso trabalho de luminárias, por exemplo, utiliza folhas de coqueiro que seriam inutilizadas. Nossa natureza ajuda muito. É preciso apenas aprender a ver o que está por trás do lixo”, finaliza a artista plástica Leda Medeiros.
*Filipe Mamede é jornalista e colaborador do fanzine Lado[r]. Seu blog é o www.a-contragosto.blogspot.com e o e-mail é filipemamede19@hotmail.com.
Fotos:
Xavo Rob