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Sacos plásticos – Entre um passado consumista e um futuro ecológico

 
Uma frase perdida nos confins da internet relembra: “o planeta não é descartável”. E mesmo que alguns poucos saibam disso, ou que a ecologia ainda esteja se incorporando às nossas disciplinas básicas, continuamos tratando o planeta como um mero objeto de consumo. Numa época onde a propaganda, as marcas, a moda e as bolsas reinam, isso não poderia ser diferente.

Vivemos num paradigma profundamente interessante: ou paramos e reavaliamos exatamente agora as consequências de nosso modo de vida ou vamos sentir com cada vez mais velocidade e impacto os resultados dessa inconsciência devastadora. Com a mesma força de furacões, tsunamis, terremotos e vulcões em erupção, nós, a humanidade, também somos capazes de destruições globais.

E a certo ponto é até engraçado pensar que um mínimo saco plástico possa fazer alguma diferença num mundo tão grande e com tanta capacidade de se modificar, mas é assim que é. Hoje, o pequeno e solitário saco plástico já não está tão só: é parte de uma família talvez mais inumerável que as estrelas do universo. Basta pensar no poder que as máquinas têm de gerar sacos plásticos por minuto, e comparar com a eternidade o universo leva para preparar suas criações, para ver que fica difícil acompanhar esse ritmo frenético. Para não dizer descontrolado.

Quando se fala em sacos plásticos os números são alarmantes. Para se ter uma idéia da quantidade exorbitante de sacos plásticos produzidos, podemos usar como base o Rio de Janeiro. Apenas na cidade do Cristo Redentor são usados cerca de 1 bilhão de sacos plásticos por ano. Já seu vizinho São Paulo, produz 210 mil toneladas de plástico filme anualmente. O plástico filme, o preferido dos supermercados, é feito de polietileno de baixa densidade (PEBD), material que já representa cerca de 10% do lixo nacional.

O pequeno saco plástico leva em média 40 anos pra se decompor, e enquanto não chega até seu fim de ciclo, fica causando problemas na superfície da Terra. Entope bueiros e canteiros nas cidades, polui rios e lagoas, e chega até a ser causa de enchente quando obstrui rios. O saco plástico impede a passagem da água nos vazadouros, o que atrasa a decomposição de dejetos biodegradáveis e atrapalha na compactação dos detritos.

No meio desse panorama nada positivo, surge o saco plástico ecológico, feito a partir do milho, como alternativa menos impactante. Mas apesar de biodegradável, leva cerca de três para se decompor, o plástico ecológico também não é a solução. Derivado do petróleo, ele tem metais pesados em sua composição e produz gases que provocam o efeito estufa.

As tradicionais sacolas de papel voltam a ser valorizadas, apesar de não serem ideais para todos os casos, como comprar grandes ou pesadas. O papel é menos poluidor, leva menos tempo para se decompor e pode ser reciclado. Mas também tem um porém: a decomposição da celulose produz gases nocivos.

Para ficar mesmo a favor do meio ambiente às vezes é preciso ser radical. Especialistas defendem que a solução ideal é a sacola permanente, feita de pano ou palha ou outros materiais. O principal atributo dessas bolsas retornáveis, ou ecobags como costumam chamar, é que elas não viram lixo depois de usadas. Pelo contrário, são o próprio exemplo da cultura anti-lixo, vivo e circulando pelas ruas.


Fotos: Luisa 1, Luisa 2

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