Um dos maiores problemas das grandes cidades é, sem dúvida, a falta de espaços verdes decorrentes de um crescimento que se intensifica a cada dia e cada vez mais no sentido vertical. São prédios e mais prédios que possuem pouco ou nenhum espaço arborizado, uma ausência que faz diferença no nosso cotidiano. O que é possível fazer, então, para recuperar as áreas verdes que as construções tomaram? Se não há mais lugar no chão, o jeito é construir um jardim suspenso, como os da Babilônia, certo? Sim, por que não?
Arquitetos e paisagistas trabalham há muito tempo com esse conceito de jardim que se assemelha aos famosos jardins babilônicos. Nos Jardins Suspensos, seis porções de terra artificial são apoiadas por colunas de 25 a 100 metros de altura. A intenção era lembrar as florestas da terra de Amitis, a esposa de Nabucodonosor, que sentia saudades de seu lar natal. Se este tipo de construção já era possível em períodos antes de Cristo, o que dirá nos dias atuais.
Os telhados verdes, como são conhecidos, preechem as coberturas de prédios e casas em todo o mundo, pois contribuem tanto para os lugares de clima frio quanto para os de clima quente. Eles podem ser de dois tipos: os intensivos, que são verdadeiros parques sobre os céus, possuem árvores de grande e médio porte, além de passagens e bancos; e os extensivos, que não são necessariamente jardins, são uma cobertura verde que visa principalmente os benefícios ambientais, que por sinal são inúmeros.
Em todo local que há vegetação o clima é mais ameno, ao contrário do calor provocado pelas paredes de concreto. Nos telhados cobertos, a temperatura chega a 25º, e em telhados comuns, a média é de 60º. Se não está quente é possível reduzir o uso do ar condicionado, e, consequentemente, o consumo de energia. Está é uma ajuda e tanto para países de clima elevado como o Brasil.
Já em lugares frios, os telhados verdes seguram a temperatura fazendo com que ela demore mais a penetrar no interior das construções. E como necessitam de muita água, no período de chuvas, as áreas verdes ocasionam a retenção de grande parte das águas pluviais, o que contribui para a diminuição de enchentes.
Além de tudo isso, os ecotelhados, como também são chamados, ajudam a purificar o ar, diminuem a reverberação de ruídos em ambientes (como é o caso do aeroporto de Frakfurt, que utiliza os telhados ecológicos para diminuir o barulho dos aviões dentro do local) e ainda aumenta o valor de venda do imóvel que possui‐los. É, ainda, uma ótima opção para o cultivo de plantas que a cidade possui em baixa escala (ou que já não possuem) ou até mesmo de pequenas hortas para consumo doméstico, como acontece no Japão. O que não faltam são benefícios e motivos para aderir aos telhados ecológicos.
Assim como Nabucodonosor mandou construir os jardins suspensos como prova de amor a sua amada, não há nada mais justo do que dar este toque de carinho ao nosso planeta. Os telhados verdes são não só um indicativo de consciência ambiental, mas também um grande salto na qualidade de vida de uma cidade inteira.
Fotos:
Rob Harrison,
Clark Maxwell
Dóris Noir é jornalista, lingüista e estudante de música e design. Atualmente está empenhada na reconstrução de seu site.
http://www.vivaviver.com.br/consciencia_ambiental/telhados_verdes_uma_opcao_de_qualidade_de_vida_para_as_grandes_cidades/708/