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Um lindo por do Sol: uma visão da natureza em tempos urbanos

 


Surpreendeu-me a beleza do ocaso quando direcionei o olhar para a linha do horizonte. A tarde já desmaiava nos braços ternos do anoitecer e o Sol, com sua majestosa grandeza, descia lentamente aquele traçado imaginário e fazia as vezes de uma indescritível bola de fogo desenhando uma linda aquarela sobre o mar lá distante.

A imagem era tão espetacularmente linda e tão generosamente encantadora e inédita que eu senti súbitas lágrimas rolando mornas nas faces. Fiquei emocionado com tanto encanto no céu. Incandescente, imensa fervura no espaço, de um brilho nunca antes visto, o fogaréu no firmamento assemelhava-se a um colossal desenho feito por mãos destras e uma mente sábia e conhecedora dos tons mais adequados e das melhores cores para completar aquela junção embevecente de arte e sentimento.

Ao redor, como pasmas e alvoroçadas, as nuvens corriam céleres, afastavam-se para os flancos do céu, enternecidas ante tanto glamour, e davam passagem ao incomensurável globo solar em brasa, mas já esmaecente e fugidio. Porque a mão da noite, anunciada pela sutileza do tempo e pelo envelhecer vespertino, dava o ar de sua graça na forma de suave escuridão um tanto perceptível, bastante segura do seu momento, contudo, pois contínua como uma rotina imutável e milenar. Terminava o dia, começava a noite.

E o Sol, fraco e esclerosado nesse intervalo cotidiano, totalmente em pandarecos, morrendo em gradual agonia, como rei supremo das manhãs e tardes, mas nesse instante rei morto, por conseguinte posto entregava o cetro e a coroa ao poder noturno também momentâneo, igualmente efêmero porque a noite é somente uma criança ingênua. Não perdendo sua majestade, no entanto, apesar de moribundo, enfeitava o firmamento com a magnificência de seus últimos minutos, cumprida a missão rotineira que lhe fora ordenada pelo Supremo Criador.

Lá se ia o Sol, enterrando-se nas profundezas do oceano horizontal, dando seu último adeus como tem feito há milhões e milhões de anos, uma despedida apenas passageira, um piscar d'olhos talvez para a imensidão complexa e ainda não completamente entendida pelo homem.

Eis que no Universo tudo é monumental e naturalmente profundo, impenetrável, de difícil interpretação, complexidade essa que tem no coração humano a chave que decifra esses enigmas se movido pela simplicidade da fé. Logo, num rompante súbito, e eu fiquei ainda mais atônito, pareceu-me que o Sol apressava a jornada terminal e, num átimo, descia a rampa da morte diária no Ocidente de modo quase atômico, por muito pouco não me roubando a oportunidade de fotografar o belo espetáculo.

Como se puxado por braços fortes e ansiosos, seu fogo sendo debelado e se tornando tênue com incrível rapidez, transformando-se de fogueira gigante em fugaz fogo de palha, o céu perdendo as cores dele emanadas e enveredando por entre as brumas da negritude, ele, cheio de dignidade e pose real, subitamente desapareceu à guisa de um passe de mágica. Na inconseqüência de meu nervosismo, as mãos trêmulas de ansiedade, pude guardar em duas fotos as imagens de rara beleza que se punha em meio aos arranha-céus da cidade grande.

Fotos: Tanguero

*Gilbamar Bezerra é advogado, escritor, poeta e mantém o blog Poesias e Crônicas, onde pode-se encontrar um pouco de seus escritos.

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Um belo espetáculo cada vez mais difícil de ser notado por nós. Talvez pelos obstáculos urbanos que escondem as maravilhas da natureza.

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