Crônica crônica – O puro exercício da metalinguagem

23 de agosto de 2010, às 07h55min
por Filipe Mamede*
 
Sento-me, me acomodo. Penso num tema e talvez me proponha a escrever alguma coisa. Talvez uma crônica. Se for esse o caso, preciso falar acerca de algum fato cotidiano usando de uma linguagem nem muito simples, nem muito arrojada, e ainda mostrar um pouco de erudição e senso-comum.

Pois bem. Olhando aqui no manual, vejo que preciso de boas palavras, bons chavões e até essas expressões “lugar-comum” que caem como uma luva e servem para ludibriar a quem interessar possa...

Agora já estou quase definindo minha meta, bem como a linguagem que empregarei para tanto. Continuo sentado, escrevendo e pensando. Pensando em frases como “Quero ver labutares o verbo aqui entre a tarde natimorta que rasteja sua baba e o âmago do muco da matina”. Seja lá o que isso signifique… talvez uma doença crônica.

Penso agora só na poesia do momento de escrever. Vêm-me à mente centenas de efeitos sonoros, casamentos de palavras que nunca se conheceram, talvez qualquer verborragia barata, mas que venda bem...

Que bom que é uma crônica. Não preciso de enredo definido, não preciso levantar uma tese, nem tecer argumentos e nem tomar partido de alguma coisa. Só preciso discorrer sobre um fato. Ou não. Pois agora bem me lembro que estou sentado, acomodado e pensando num potencial tema para uma eventual crônica, e se esse for o caso.

*Filipe Mamede é jornalista e colaborador do fanzine Lado [R].

Fotos:

Gilles Chiroleu

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