Quando permito a poesia me abraçar

30 de agosto de 2010, às 06h00min
por Gilbamar Bezerra *
 
Sou, por assim dizer, um resto de sorriso,
fragmentos de saudades, ilha em mar revolto,
desenhista de sonhos, colecionador de flores,
vendedor de noites enluaradas, o grito da dor

Envolvo-me em nuvens quando a poesia me abraça,
fotografo beija-flores em pleno voo de êxtase,
deixo-me levar por belos entardeceres,
então a magia poética alimenta minha'alma

Quando fecho a noite e abro a madrugada
transporto-me para dimensões silenciosas
e enveredo por fantasias que vi nas estrelas
quando meu coração fascinou-se por elas

Ao acender o sol no limiar da aurora, sorrio,
enquanto passo a esponja e apago a lua
ligando o ventilador da brisa matinal
para afagar as folhas antes que caiam

Sou eu quem agita as belas palmeiras
para abanar os pássaros ao calor do dia,
sussurro o primeiro gorjeio convidando sabiás
para participar da sinfonia com as graúnas

Vida é combinação de quimera com anseios
e nesse sonho da multidão em devaneio
também estou planando nas asas da alegria
decerto uma bolha que o tempo explodirá

Fotos: Ana Paula Malvina, Atumn BlissElba Fernández 

*Gilbamar Bezerra é advogado, escritor, poeta e mantém o blog Poesias e Crônicas, onde pode-se encontrar um pouco de seus escritos.
http://www.vivaviver.com.br/escritos/quando_permito_a_poesia_me_abracar/829/