Apraz-me escrever e divagar sobre a beleza, o lirismo e o encanto que as coisas belas despertam em meu coração. Não é nada do meu feitio discorrer sobre o escandaloso que atrai as atenções e o inusitado que desperta a curiosidade. Gosto da beleza em todas as suas expressões poéticas ou naturais.
Opto pela poesia e redijo singelas crônicas enveredando pelo âmago do amor, da vida, do entendimento humano, da melancolia desvairada, do ardor pelo existir e fazer algo em prol do amanhã de todos. E assim vou e continuarei indo palmilhando esse trajeto sinuoso das tantas coisas que fazem um enorme bem à alma de quantos se alinham nos traços dessa trilha onde imperam a paz e os bons sentimentos.
Disserto sobre a alegria e seu reino mergulhando no abismo infinito do que há de mais sublime, realizando-me, por fim, nos contornos do amor. É justamente esse romantismo incurável que me direciona tornando-se o mote e a diretriz dos meus desígnios rotineiros, sendo quase impossível fugir de sua direção mesmo que eu quisesse e, obviamente, não desejo desviar-me desse curso de plácidas águas. Faz-me um baita bem ao espírito segui-lo, alegra-me sobremaneira e me transmite intenso conforto e suave bem estar!
No cotidiano, enamoro-me do alvorecer e me deixo fascinar pela originalidade marcante do nascer do sol distribuindo os raios pelas bandas ocidentais, aquietando-me rejubilado quando o ocaso se despede do dia para vê-lo recolhendo-se ao repouso. O Astro-rei todos os dias morre ao entardecer para dar vida à escuridão noturna iluminada pelo brilho da lua, que nasce para nosso deleite.
Logo, ao engatinhar da noite, agita-me a emoção assistir ao luar, por quem o mar se apaixona, espraiando luz pelo céu transbordando estrelas. Daí, ante esse transe de elementos naturais se entrechocando delicada e suavemente como casais embevecidos, feito criança deslumbrada, eis que me vem a inspiração e abraço as letras num aconchego interminável, e nisso o fluir das palavras vai formando o meu toque literário pessoal.
Prefiro o inesquecível e perene ao imediatismo dos rompantes passageiros mesclados por idéias estonteantes de instantes apenas, de breves labaredas, de repentinos e logo desaparecidos passares, pois sou aquele beija-flor enternecido a irromper cego de fervor e desejo, ávido até, pelos meandros dos jardins floridos bem cuidados por jardineiros devotados. Escrevo para o brotar do deleite, pensando no impensado, avesso às frivolidades, distanciando-me dos modismos tênues e frágeis como pétalas jogadas ao acaso e pisoteadas pelo desprezo dos dias subsequentes. Quero tão-somente enternecer.
Fotos:
Gemma Bou,
Chönóphotos,
Lara Danielle
Gilbamar Bezerra é advogado, escritor, poeta e mantém o blog
Poesias e Crônicas, onde pode-se encontrar um pouco de seus escritos.
http://www.vivaviver.com.br/escritos/uma_cronica_sobre_a_inspiracao_que_vem_do_amor/774/