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O SEGUNDO DIA - Acordar foi bem difícil. Parece que o primeiro dia de pedalada deixou o corpo cansado como se tivesse corrido uma maratona. Desisti, inclusive, da saidinha light da quarta. Mas, tomei um bom café da manhã, organizei a mochila e me danei portão afora.

Lembram da ladeirinha do 3º quarteirão? Pois bem, ela já foi menos difícil. Engraçado, né? Só um dia e parece que já começo a acostumar. O sol estava bem forte, e suei mais do que imaginava. Mas aprendi quais rampas da calçada deveria subir e descer para não ter que desmontar da bicicleta sempre que me sentisse insegura com o trânsito. Mais uma vez, a chegada na agência foi tranquila.

Passou o dia e ainda senti a perna doer. "Natural" pensei. Só que era dia de levar equipamentos para casa e a mochila foi arrumada com muita coisa para voltar. Às 19h, peguei a magrela e comecei a volta para casa. Devo primeiro confessar que, no primeiro dia, não aguentei o caminho inteiro da volta: desci da bike um trecho e a empurrei por uns dois quarteirões. Depois tomei coragem e segui. Dessa segunda vez, consegui chegar em casa só parando num semáforo e numa esquina bastante movimentada. E encarei todas as subidas!

Tentei, dessa vez, um percurso diferente. Ao invés de subir toda a rua em que o motorista super educado acelerou atrás de mim, peguei a rua paralela. Fui pela calçada, bem mais tranquila. Mas confesso que fiquei receosa com a segurança por falta de iluminação e tráfego de pedestres.

Cheguei em casa com as pernas trêmulas, tanto que quase tropecei em mim mesma quando fui sair do elevador (ia ser uma cena bonita, já que dois vizinhos subiam comigo e eu já estava morrendo de vergonha por achar que estaria nada cheirosa). Suada, com a cara toda vermelha e quase sem fôlego, mas fiz o percurso inteiro, dessa vez. Foram 12 minutos a menos que na quarta-feira. Boa marca, não?

A volta do segundo dia me fez pensar em motivação, como quando era atleta na época da escola. Aquela coisa de mentalizar "só mais um pouco, só mais um pouco" e "tá chegando, tá chegando"! Bom, pareceu funcionar.

Outra coisa que me levou a refletir sobre subidas: uma vez a mulher de um colega me falou da experiência dela em andar de bike na capital federal. E ela me disse que "subir ladeira pedalando é uma questão de ritmo". Pensando nisso, começo a tentar achar o meu. Quando vejo que estou muito afobada, diminuo a velocidade, buscando um ponto de equilíbrio entre a força e o ritmo da pedalada.

O TERCEIRO DIA – Devo admitir que joguei a toalha. Acordei na sexta-feira com o joelho doendo bastante. Quando doem as pernas, os braços, o bumbum, eu nem ligo. Faço o esforço e vou. Mas o joelho é complicado, porque machuquei os dois jogando vôlei na adolescência. Preferi não arriscar e descansei ao terceiro dia.

OS QUARTO E QUINTO DIAS - Bom, depois do final de semana parada, segui a proposta e levantei cedinho na segunda para trabalhar. Cheguei bem disposta, reduzi o tempo em 3 minutos (fiz em 14) e ainda cheguei no trabalho mais cedo, o que me deu tempo de sobra para o banho e café da manhã. À noite tive que ir ao médico, então meu pai veio me deixar o carro dele emprestado. Para minha própria surpresa, a reação que tive foi colocar a bicicleta no carro e levá-la para casa.

Quando me perguntaram o motivo a resposta foi: "se não, como eu venho trabalhar amanhã?". Quem me conhece sabe que isso é um avanço boooommm!! Já hoje de manhã acordei mais cansada e me atrasei um pouco, mas, incrivelmente, reduzi o tempo do percurso em mais 3 minutos! Foram 11 minutos de pedalada, em quase 3km.

Ora, para quem está começando, achei uma marca razoável. Meu objetivo inicial era fechar os 10 minutos na pedalada de ida pro trabalho. Tô avançando, né? Também baixei um programa de acompanhamento de exercícios no celular que me dá a velocidade média da pedalada, o tanto de calorias que perdi (69, hoje!) e ainda fazShuffle nas minhas músicas. Alguém tem sugestão de outros aplicativos? Meu celular é Android.

Como final de ano é tempo de muitos encontros com amigos, não vou ficar me culpando por não ir de volta para casa hoje. Deixarei a bike na agência, amanhã venho de carona e pego ela de volta para casa. Mas, tenho uma pergunta: quando é que o corpo para de doer, hein? Ontem comecei a sentir não só as pernas, mas as costas e o abdômen. Um amigo agora há pouco me disse que, com o tempo, a gente "nem lembra" mais do esforço. Estou esperando esse dia ansiosamente. Ouch...

*Patrícia Cordeiro tem 27 anos, é Jornalista e Diretora de Mídias Sociais na C4U/Penélope PPG. Há alguns dias decidiu virar ciclista em Natal. Ela acaba de criar o blog Nova Ciclista.

Fotos: Fotos: Patrícia Cordeiro, JanneM

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Comentários

 
Neide Araújo - 4 mês(es) atrás
Adorei a matéria. Vc é mesmo uma guerreira. Continue dando esse exemplo de superação. A sua saúde e o meio ambiente agradece.

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Em julho deste ano eu me aventurei em pegar uma bicicleta que estava parada há anos lá em casa e começar a pedalar.

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