Ocupação Chico Science: um mergulho no mangue de Chico

22 de fevereiro de 2010, às 00h01min
por Michelle Ferret
 
Abrir as gavetas da memória, como bem dizia o filósofo Bachelard, é revisitar a própria vida. É isso que o projeto “Ocupação” faz com a história de Chico, o Science. Em cartaz até o dia 04 de abril no Itaú Cultural da Avenida Paulista, São Paulo, a exposição é um espaço para reviver Chico. Ali estão não só seus versos espalhados nas paredes, como saem de uma radiola de ficha (igual a da Soparia da Rua da Moeda), canções eternas compostas por Chico e pela Nação Zumbi.

Entrar nesse mundo é ver de perto a história do homem que conseguiu levar o mangue pro mundo e mudar a história da música brasileira, principalmente do cenário musical do Recife, quando conseguiu unir o rock com o Maracatu rural. Ele deixou soar fortemente os tambores, fazendo o mundo ouvir “a música dos trovões”. E não era só a música a contemplada pelo movimento mangue beat, Chico conseguiu fazer o Brasil se rever e conhecer melhor e de perto o que fazem os homens do mangue, na arte do mangue, do Nordeste, do coração de Pernambuco. O manifesto se multiplicou deixando viva a essência do mangue até hoje em milhares de grupos contemporâneos e mantendo viva a chama de Chico com as apresentações do grupo Nação Zumbi, liderado hoje por Jorge Du Peixe, seu companheiro de manifesto junto a Fred Zeroquatro, vocalista do Mundo Livre S.A.

Além das fotografias espalhadas pelas paredes e as palavras das músicas de Chico, que o próprio visitante pode montar frases inteiras, a sala mais bonita e emocionante é quando atravessamos os fios coloridos como os usados pelos caboclos de lança e entramos num lugar cheio de gavetinhas de vidro. Lá, podemos abrir uma a uma e nos deparar com objetos pessoais de Chico Science. São fotos com seus familiares, óculos usados por ele em shows e na vida e cadernos de anotações com a letra dele quando escreveu “Samba Makossa” e outras canções. Tudo com a energia dele, que mudou a história da música brasileira desde a década de 90 pra cá.

Na outra sala, um carro atravessado na parede traz uma tela quando podemos ver trechos de shows importantes como os feitos nos carnavais em Recife de depoimentos importantes de seus amigos como o próprio Fred Zeroquatro e Roger de Renor. A ocupação é um momento único, quando nos encontramos com Chico e em Chico, esse cara que conseguiu ser o mangue para o mundo, levando em suas antenas de caranguejo a humanidade inteira.

O projeto tem curadoria de Helder Aragão e Hilton Lacerda, Goretti e Louise França (irmãs de Chico) e Paulo André Pires que escreveram, “além de fazer referência à cena, a exposição mostra a trajetória do músico. De objetos pessoais e imagens de arquivo a cartazes de shows e depoimentos de familiares, amigos e parceiros musicais, Ocupação Chico Science pontua o legado deixado pelo músico - na identidade pernambucana, na música brasileira, na imagem do Brasil para o mundo”.

Quem não está em São Paulo pode visitar a exposição através do site: www.itaucultural.org.br/ocupacao.


*Francisco de Assis França, conhecido como Chico Science, morreu em 2 de fevereiro de 1997, aos 30 anos, em acidente de carro entre os municípios de Recife e Olinda.


Exposição
quinta 4 de fevereiro a domingo 4 de abril de 2010


Shows
Sala Itaú Cultural [247 lugares]

Instituto - quinta 1 de abril 20h
Mundo Livre S/A e convidados - sexta 2 e sábado 3 de abril 20h
Bomba do Hemetério - domingo 4 de abril 20h
http://www.vivaviver.com.br/plano_geral/ocupacao_chico_science_um_mergulho_no_mangue_de_chico/596/