Sinoterapia - Cachorrinhos ajudam no tratamento de distúrbios psicológicos

10 de maio de 2010, às 12h06min
por Filipe Mamede
 
Esqueça os antidepressivos e os remédios “controlados”. O Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes (HPSL) aderiu a cerca de dez meses a uma terapia que conta com a ajuda de cachorros na recuperação de pacientes com problemas psiquiátricos. A sinoterapia, ou a Terapia Assistida por Cães (TAC) é uma forma diferente de interagir com o mundo. O trabalho é pioneiro no Brasil e vem dando resultados.

Trazida para Natal pelo enfermeiro Renato Costa, 28, a sinoterapia tem contribuído positivamente no tratamento dos 220 pacientes do HPPSL. A iniciativa contribui de diversas maneiras. A presença dos cães estimula o desenvolvimento sensório-motor, neurológico e psíquico. “Essa é uma prática muito difundida nos Estados Unidos em instituições de reabilitação. É uma verdadeira porta de entrada para a cura dos pacientes”, explica Renato.

Há pouco mais de um ano prestando serviço no HPPSL, Renato conta que apresentou o projeto da sinoterapia à direção do Hospital e, desde então, começou a utilizar os seus próprios cães, os labradores Cajú e Tommy, no tratamento dos internos. “Eu já era adestrador de cães e então eu tomei conhecimento da sinoterapia. Com os cães, os pacientes são estimulados a produzirem hormônios como a serotonima, responsável pelo bem-estar”, exemplifica.

Sinoterapia é preferência entre os pacientes

Apesar de haver no Hospital a forroterapia e a yogaterapia, muitos pacientes só se identificaram com a sinoterapia. “Tem um paciente que é esquizofrênico, tem aversão ao toque e depressão. Ele vive recluso, não desce para os outros espaços do Hospital. Sempre permaneceu em seu quarto por mais de quatro anos até a chegada dos cães. Quando ele viu os cachorros, pegou eles e foi passear na rua”, relata Renato.
“Outra paciente que era bastante agressiva, estava prestes a jogar um equipamento no chão quando me viu chegando com os cães. Ela parou, perguntou se podia fazer carinho nos cachorros. O médico que estava comigo comentou que nenhum ansiolítico (tranquilizante) seria capaz de contornar uma situação como essa tão rapidamente. Em muitos casos, esse trabalho tem gerado mais resultado do que os tratamentos convencionais”, complementa.

Com a intenção de tornar a iniciativa uma terapia com base científica, Renato tem contado com a ajuda dos setores de psicologia, nutrição, medicina e ainda da terapia ocupacional do HPSL. “Estamos monitorando dez pacientes mais de perto. Eles estão sendo acompanhados diariamente para ver como anda o comportamento, a interação social desses pacientes. Nosso objetivo é produzir um artigo científico e catalogar essa prática a fim de torná-la uma terapia reconhecida”, reforça. Além do Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes, o trabalho da sinoterapia, que acontece quintas e sábados no HPSL, tem sido desenvolvido também na Clínica Heitor Carrilho. Lá, os cães auxiliam no tratamento de crianças especiais.

*Filipe Mamede é jornalista e colaborador do fanzine Lado[r]. Seu blog é o www.a-contragosto.blogspot.com e o e-mail é filipemamede19@hotmail.com.

Fotos:

Eric Noim


John Talbot

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